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Breve história da formação da Bíblia Católica e da Protestante - Canon Bíblico

A formação da Bíblia se inicia com a tradição oral dos apóstolos que posteriormente foi colocada na forma de escrituras como já era feito pelos judeus no Antigo Testamento (A.T.). A pedido de Demétrio, na cidade do Alexandria, colônia grega no Egito, 72 sábios judeus traduziram os livros em hebraico para o grego, totalizando os 46 livros em grego do Antigo Testamento. Essa tradução, feita a partir de 285 a.C, ficou bem conhecida como Septuaginta - ou “tradução dos Setenta” sábios ou simplesmente “LXX”, - pois manteve os 7 livros Deuterocanonicos, escritos em grego, utilizados por séculos pela Igreja Católica, os quais  foram rejeitados pelos protestantes por, supostamente, não serem reconhecidos no canon definido pelos judeus nacionalistas na reunião de Jamnia, por volta do ano 100 d.C. Mas essa segunda tradução, com apenas 39 livrosem que  (1 e 2 Macabeus, Judite, Tobias, Eclesiástico, Sabedoria, Baruc e trechos de Daniel e Ester), já era tradicionalmente adotada pela Igreja primitiva, pois os apóstolos utilizavam a versão grega do A.T. em suas pregações. Tanto é que o Novo Testamento começou a ser escrito em grego por volta do ano 50 d.C. (duas décadas depois de sua pregação!) e só terminou por volta do ano 100 d.C. Houve certa controvérsia pela Igreja primitiva na escolha dos livros do N.T. Os livros de Tiago, Hebreus, Apocalipse, 2 Pedro, 2 e 3 João e Judas foram questionados por muito tempo. Aos poucos as próprias comunidades iam rejeitando alguns escritos, que hoje conhecemos como apócrifos. A definição do elenco dos atuais livros da nossa bíblia veio primeiramente por meio de Concílios Regionais como o de Roma (382 d.C), Hipona I (393 d.C), Cartago III (397 d.C). Uma definição universal veio no Concílio Ecumênico de Florença (1442 d.C), reiterado em 1545 no Concílio de Trento, contra a Reforma Protestante que adotou somente 39 livros do A.T. Após o surgimento do N.T., São João Crisóstomo cunhou a palavra Bíblia a partir do grego Bíblos (século III).

(Obs.: Os judeus atuais não seguem mais a Tanak, suposta Bíblia original em hebráico conforme sustentam os protestantes, pelo contrário, os judeus seguem pouco o A.T. e se dedicam mais aos livros da Torá, do Talmud, e do Zohar.)

Na Idade Média, no século IV, a Bíblia foi traduzida do grego para o latim por São Jerônimo, ficando conhecida como Vulgata Latina. No entanto já existiam várias traduções católicas da Bíblia que ficavam à disposição das pessoas tanto nos seminários quanto nas igrejas. O arcebispo da Cantuária St. Estêvão Langton foi o primeiro a dividir as escrituras a partir do texto latino da Vulgata de São Jerônimo em 1.163 capítulos no AT e 260 no NT. As bíblias católicas estavam disponíveis por meio dos códices (escritos à mão), mas provavelmente poucos sabiam ler ou não tinham acesso devido ao fato de não ter ainda ocorrido a invenção da imprensa de Gutenberg (1455 d.C), que foi o primeiro a imprimir a Bíblia Católica. Mas, por volta de 1534 d.C. Martinho Lutero traduziu para o alemão somente os 66 livros da Bíblia que eram favoráveis às suas 95 teses contra a Igreja Católica, que o ex-monge católico afixou nas portas de um castelo da cidade de Vinterberg (Alemanha), iniciando, com isso, o cisma protestante.

Algumas pessoas alegam que não existem citações dos livros deuterocanônicos  nos outros livros da Bíblia. Entretanto verifica-se a validade desses livros no Novo Testamento através de citações bastante semelhantes dos mesmos. Veja um exemplo de uma citação de um livro deuterocanônico no novo testamento como mostra a seguir:


"Guarda-te de jamais fazer a outrem o que não quererias que te fosse feito."  (Tobias, 4 ,16) - Livro deuterocanônico do A.T

"Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a Lei e os profetas." (Mateus, 7,12) - N.T.

Conclusão: Assim sendo a Bíblia legítima é fruto da Igreja Católica e o cânon bíblico, que está definido fora da Bíblia, depende indiscutivelmente da Sagrada Tradição da Igreja Católica. Ambas – Sagrada Escrita e Sagrada Tradição – estão a serviço da Palavra de Deus. A Bíblia, sem a devida e autêntica interpretação da Tradição que a criou, pode se tornar letra morta e conduzir à divergências de interpretações, originando diversas seitas denominações e, até mesmo, o ateísmo.

(vídeo sobre o assunto)


(Parte de Documentário: A História da Bíblia e dos Cristãos - O Livro Eterno )